LabOffline - V.14.0 - Ano VIII

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NO AR DESDE 01/01/2002

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PERFIL (Mesmo texto há anos):

Nome: Leonardo Alberto Bonassoli
SALL - Serviço de Atendimento ao Leitor LabOffline (Também por MSN): elveszett_utas(Você sabe o quê)hotmail.com
ICQ: 44981283 (reze para estar lá)

Descrição por Lucas Gandin:
LabOffline é um blog. Mas não um blog qualquer; um blog laboratório. Aqui se produz letras com grande qualidade literária, lingüística e estética. Crônicas, contos ou meras palavras ordenadas numa ordem minimamente compreensível com originalidade, neologismo, crítica, sátira e sobretudo experimentalismo pululam nos posts deste blog. Às vezes são mensagens curtas, rápidas, mas que se prolongam na cabeça do leitor, divertindo-o e perturbando-o. Lab é um laboratório, um laboratório desconectado do mundo outside. LabOffline também é Leonardo Alberto Bonassoli, um ser humano tão complexo quanto qualquer transeunte da rua XV. Uma pessoa cuja mente não pára (mesmo quando pedimos) que entende de futebol (inclusive da 3ª divisão do Campeonato Húngaro), música, um pouco de literatura e muito de tudo. À primeira vista pode parecer um cara estranho e até mesmo pedante. Mas aos poucos você percebe que sua mente é mais elevada que a tua e que o estranho é você. Conversar com Leonardo é como dialogar com pedra: de lado, afastado, mas que pode contar a história do universo. Uma coisa é certa: LabOffline, o blog ou a pessoa, é um laboratório de altíssima criação, engenhosidade e imaginação.

Coisas velhas

LIGAÇÕES (traduzir mal é uma arte):

Com o autor:

Velho LabOffline
Stunts LOL
Fotolog Elveszett Utas
Futebol e Fritas
De Primeira
Papo de Bola

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Kingdom - Earldom Of Aberdeen
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Bruno Brasil
Chocolate e Nitroglicerina

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Pouca Sombra

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Coletivos:

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Corporativismo Feminino
Ambos
 

Temáticos:

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Música:

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Buricul Pamantului
 

Diversos:

Comunicação
Furacao.com
Confusa
Odontologia em Foco
Registrada
Cocadaboa
Elsis Matei
Cacos - UFPR
Real Tangamandápio

Sábado, Novembro 26, 2005
 
Pombas!

Woody Allen faz uma declaração sábia ao dizer que os pombos são ratos com asas. Mas de certo modo é uma atividade bastante divertida observá-los apesar de perigosa, pois são vetores de diversas doenças, ainda mais na paranóia que vivemos sobre a gripe aviária (né Ozzy?).
Engraçado é que os pombos da Praça Garibaldi formam panelinhas, grupos que pouco se misturam e num dia de sol escaldante eles fazem um curioso ritual cíclico de ir à Fonte do Cavalo Babão, se molhar e refrescar e depois ir esfriar o sol¹ para as outras. E de pensar que tem gente que põe a mão naquela água. Devem ser pessoas com muitos anticorpos depois desse ato.
Quando surgem pessoas agrupadas os pombos se afastam para os telhados como se fossem varridos. É de uma beleza plástica a cena. Parece um ballet de aves sujas partindo do petit-pavê rumo aos telhados que têm como fundo um céu azul "chroma key".
Algo que é muito perigoso é a chusma de pombos a voar rasantemente sobre as cabeças dos transeuntes como se estivessem para atirar a bomba fecal de nossas cabeças tendo as cloacas como canhões armados para a guerra biológica. Alguns mais ousados, pensam ser quero-queros e passam baixo pelo lado das pessoas, se Lindomar - o Sub-Zero Brasileiro - estivesse na área, talvez as aves sofressem duro revés.
---
Nota de Rodapé:
1:
Conta Nêgo Pessôa que, antigamente, na década de 1950, as partidas de futebol no Rio de Janeiro começavam às 15 horas e haviam preliminares com os aspirantes, que entravam no gramado do Maracanã logo após ao meio-dia, sob um calor escaldante. Eis que certa vez o eterno Nílton Santos tascou uma muito boa: "E lá vão os aspirantes a esfriar o sol para a gente".



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Sábado, Novembro 19, 2005
 
Em 2006

O ano após 2005... :P



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Domingo, Novembro 13, 2005
 
Três Contradições Curitibanas

1- As calçadas curitibanas são bem complicadas em sua média. Andar de salto alto é uma aventura que gera várias histórias curiosas e tristes acidentes ortopédicos. Logo, tem que ser muito macho para andar de salto em Curitiba.

2- Jardim Social. Parece nome de loteamento. Mas é um bairro residencial de grande poder aquisitivo. Não é social no sentido mais utilizado para a palavra. Está mais para Jardim Socialite.

3- Ivo Leão é nome de rua. Quem foi Ivo Leão. Simples e curioso. Ivo Leão, entre outras coisas, foi jogador de futebol. Jogador das antigas e bota antigas nisso. Membro de tradicional família de Curitiba, Ivo defendeu o Internacional de Curitiba e foi o artilheiro absoluto do primeiro Campeonato Paranaense, em 1915, conquistado de maneira invicta pela equipe Alvinegra da Baixada. Alvinegra da Baixada? Sim, Joaquim Américo era presidente do Internacional e dono do terreno do estádio da equipe, que depois se fundiu com o então arqui-rival, o encarnado time do América, resultando no Clube Atlético Paranaense, arqui-rival do Coritiba. Sabe onde fica a Rua Ivo Leão? No Alto da Glória, perto do Couto Pereira, e o cara pode ser considerado o primeiro matador atleticano da história.



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Sábado, Novembro 05, 2005
 
Lamenha Pequena - Além da Fronteira Final

Já conhecia a Riviera, bairro de cerca de 200 habitantes no Extremo Oeste de Curitiba (vide arquivos do final de 2003). Chegou a hora de conhecer um bucólico bairro do Extremo Norte de Curitiba e seu apêndice em Almirante Tamandaré e em Campo Magro. Mais uma vez fui chamado pela contingência. O objetivo era chegar ao Clube Atlético Primavera.

[Intromissão Futebol Alternativo

O Clube Atlético Primavera disputava Campeonatos Amadores de futebol até resolver entrar para o profissionalismo em 1961. O clube ficava no bairro do Taboão, norte de Curitiba. Tinha bastante torcida na região. Em 1969, abandonou o futebol. Na década de 90, vendeu a área no Taboão e comprou um terreno maior na região do Juriqui, logo ao norte de Curitiba, onde foi construída a Sede Campestre do clube.

Fim da Intromissão]


Era sexta-feira, 29 de outubro de 2005. A viagem prometia ser alternativa. Instruções: Travessa Nestor de Castro + ônibus Raposo Tavares (é nome de bandeirante...) + andar alguns quilômetros (dois, segundo as informações) até o local. Subindo a Rua do Rosário, ele se fez presente: Xu-Wah - O Umedecido. E choveu em bicas até chegar na Travessa Nestor de Castro. E no ponto de ônibus, chovia até formar pequenos córregos na calçada. E assim o bólido amarelo deu o ar de sua graça e nele embarquei.

Uma viagem cheia de altos e baixos, especialmente altos. Um sobe e desce frenético. Para ficar a beira de barrancos e fazer esquinas improváveis para um ônibus. Realmente o Raposo Tavares é a linha de ônibus urbano que eu conheço que é mais perto de Deus. Raposo Tavares era realmente um bandeirante: sua viagem é um rally no asfalto. A região percorrida é tão alta que lá estão as emissoras de TV de Curitiba e várias das rádios. Curiosamente, há uma descida e ali pode se considerar o fim da Zona Urbana, pois a Avenida Fredolin Wolf poderia ser chamada de rodovia sem o menor problema que todo mundo iria acreditar que era.

Após isso, o ônibus entra na Rua (antiga estrada) Justo Manfron. No início divide Santa Felicidade de São João, depois Curitiba de Almirante Tamandaré. É curiosa a aglutinação destes municípios, pois de um lado da rua é Curitiba e do outro Almirante Tamandaré. Deve ser divertido dizer que foi visitar o amigo na cidade vizinha apenas atravessando a rua.

Xu-Wah - o Umedecido mostrava toda sua fúria e o detalhe é que nas terras araucáreas ele resolve chover sempre do sul para o norte. Logo, ele me acompanhou. Desci do ônibus no ponto final e recebi as instruções de seguir o asfalto. Era a Estrada do Juriqui.

A estrada é toda asfaltada, mas está com mato alto do lado e é cheia de subidas e descidas. É estreita em alguns pontos, parecendo rua de bairro residencial, quando ouvia barulho de carro, eu ia para um ponto visível, para evitar atropelamentos ou levas esguichos, já que a chuva era bem torrencial e em alguns pontos formava córregos que desaguavam nos riozinhos da beira da estrada. Apesar de meu guarda-chuva, molhei meus pés e meu braço esquerdo, além de parte das costas. Era o terceiro dia seguido em que eu me encharcava de chuva. Na estrada passavam vários caminhões e caminhonetes. Pedi informações em dois bares no caminho: teria que seguir o asfalto. Tantas subidas e descidas, que dava a impressão que, depois de uma delas, eu veria uma placa dizendo "Bem-vindo a Guaraqueçaba". O que me assustou é que eu vi uma placa de bem-vindo, mas era de "Bem-vindo a Campo Magro", que eu não sabia que começava por ali. Os ditos dois quilômetros pareciam cinco e após quase uma hora de caminhada na chuva, vislumbrei a porta do Primavera. Fiz meu trabalho e dei sorte de não ter chuva na volta.

O lado bom disso foi que deu para perceber melhor a paisagem e o anoitecer e descobrir que o bairro de Curitiba ali era a Lamenha Pequena - considerado o menos violento da cidade. Não sei onde era exatamente o limeite, mas uma placa velha de rua, arrebentada, mostrava um "nha"e a certeza do local veio com uma placa de "Floresta de Preservação Lamenha Pequena". Chegando, após longa caminhada sob o sol poente, deparei-me na frente do porco com uma criação de porcos e casas sedes de pequenas chácaras e ar de cidade do interior (Parecia um bairro de União da Vitória). Isso na quinta maior cidade do Brasil em população. Após quase uma hora esperando o ônibus, apareceu a condução, em que entrou depois um polaco com um perfume assaz enjoativo e uma bela morena de Santa Felicidade (felicidade seria se ela sentase perto de mim). A noite já se fazia presente quando cheguei ao Centro depois de tal jornada espiritual e espiriuosa aos confins do Universo Curitibano.



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