LabOffline - V.14.01 - Ano VIII

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NO AR DESDE 01/01/2002

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PERFIL (Mesmo texto há anos):

Nome: Leonardo Alberto Bonassoli
SALL - Serviço de Atendimento ao Leitor LabOffline (Também por MSN): elveszett_utas(Você sabe o quê)hotmail.com
ICQ: 44981283 (reze para estar lá)

Descrição por Lucas Gandin:
LabOffline é um blog. Mas não um blog qualquer; um blog laboratório. Aqui se produz letras com grande qualidade literária, lingüística e estética. Crônicas, contos ou meras palavras ordenadas numa ordem minimamente compreensível com originalidade, neologismo, crítica, sátira e sobretudo experimentalismo pululam nos posts deste blog. Às vezes são mensagens curtas, rápidas, mas que se prolongam na cabeça do leitor, divertindo-o e perturbando-o. Lab é um laboratório, um laboratório desconectado do mundo outside. LabOffline também é Leonardo Alberto Bonassoli, um ser humano tão complexo quanto qualquer transeunte da rua XV. Uma pessoa cuja mente não pára (mesmo quando pedimos) que entende de futebol (inclusive da 3ª divisão do Campeonato Húngaro), música, um pouco de literatura e muito de tudo. À primeira vista pode parecer um cara estranho e até mesmo pedante. Mas aos poucos você percebe que sua mente é mais elevada que a tua e que o estranho é você. Conversar com Leonardo é como dialogar com pedra: de lado, afastado, mas que pode contar a história do universo. Uma coisa é certa: LabOffline, o blog ou a pessoa, é um laboratório de altíssima criação, engenhosidade e imaginação.

Coisas velhas

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Quarta-feira, Julho 08, 2009
 
Carta Aberta

A destinatária sabe que é para ela. Sabe como tudo começou, meio por acaso. Sim, aquele acaso que acontecia com Glauber Rocha e ele resolvia deixar no filme. E foram três meses de sonho e um obstáculo: ela, a maldita distância.

Quantas noites sonhei, quantos planos tracei, quantos dias suspirei acordado. Sim, achei um foco. E sabe como sou, defeitos e virtudes, muitos deles em comum, os gostos, as histórias, a personalidade. E crescendo foram as juras de amor.

Eu contava o tempo através de ti. Você escrevia algumas coisas sobre mim que só eu sabia que era para mim. E eu sonhava com aquilo virando realidade. E eu seguia a tua cartilha, o que você queria e não queria. Contávamos um para o outro segredos íntimos que nunca ninguém revelou para mim e que nunca havia revelado para ninguém. Se depender de mim, teus segredos seguirão secretos.

Eu iria até aí. Mas disse que ainda não estava preparada há cerca de meio mês. Eu tive raiva aqueles dias sim. Era pressentimento de algo mau. Eu queria uma chance de tentar ser feliz.

Fomos reaquecendo, mas confesso que ficou aquilo marcado. Lembrando bem do começo, teve um dia que você sumiu e eu fiquei preocupado. Confesso que corri atrás de notícias. Estava com medo que o pior tinha acontecido. Alguns dias depois, a internet de casa arriou. Não é que você mandou mensagens de madrugada lamentando e causou um salci-fufu aqui em casa pois o celular estava com minha mãe. E olha que não tínhamos nos declarado ainda.

Muitas dias ruins você consertou. Poderia ter dormido triste com uma vida que não se resolve, mas você me fez dormir feliz, com esperança. Foram noites de bom sono, de sono tranquilo. Era certeza que um dia as coisas iriam se resolver e ficaríamos definitivamente juntos.

Oficialmente, por causa dela (a maldita distância), não pudemos ter nada. Quis o destino, esse grande calhorda, que 700 km nos separasse. Eu lembro que todo dia acordava e perguntava por ti. Falava teu nome na frente do espelho e quase chorava por causa de tua falta. É duro não ter ao alcance das mãos alguém que se gosta tanto. Você sabe disso e eu soube que você ficou ao menos balançada.

Depois da noite de quinta-feira passada você não foi mais a mesma. Sexta-feira. Eu fora de casa, pensando em ti. Você fora de casa, com certeza não. Sentia-me estranho. Algo mau viria. Cheguei em casa na fissura de te encontrar. Offline. No sábado, estava estranha. "Saiba que nem sempre sonharei contigo". Soou como um baque. Você recusou minhas palavras doces, como havia feito algumas vezes antes quando tive que me conter até você estar no mesmo nível de doçura. Eu sabia de algo. Segunda-feira, dia de bosta, deviam apagar a porra desse dia da merda. Na vida, tudo andando mal. E veio tua revelação. Se não tivesse revelado, estaria sempre com a pulga atrás da orelha. Eu quis morrer. E morri por dentro. Como imaginar que posso ter sonhado em vão, pois é o que parece agora. Sinto como se três meses de minha vida tivessem sido arrancados de mim, que meu sorriso, cada vez mais raro pelas chicotadas da vida, também foi roubado de mim. Será que isso aí terá futuro? Na verdade, acho que mais nada tem futuro até que eu tente me encontrar, o que eu começava a fazer.

Sinto que te perdi e me perdi. Confesso que bem no começo, assustado pela distância, e já balançado, comecei a procurar mais perto alguém que fosse parecida contigo. Em vão. É como como procurar um grão de areia específico no meio do Saara. Cada vez mais vejo que não tem mais ninguém como você e isso dói muito, dói demais, tira a vontade de viver. Não, não desistirei. Eu tenho alguns detratores, que não é o teu caso, e tudo o que eles querem é o meu fim. Eu não desisto fácil e não espalharia aos que me amam a minha dor. Ela é só minha e eu estou escrevendo para tentar colocar as coisas no lugar, para ver se melhoro. Sim, é uma espécie de terapia. É um exorcismo de meus demônios internos. Também não vou sair por aí bebendo para esquecer, até porque o excesso de bebida pode até fazer esquecer, mas na hora da ressaca tudo volta mais forte. E também, confesso, não quero esquecer.

Não sei onde errei. Talvez até não tenha cometido nenhum erro grave, apenas viver tão longe. Eu daria muito para que não existisse a maldita distância entre nós. Seria uma chance para mim. Poderia ser um recomeço. Algo forte assim não se apaga de uma hora para outra. Viver é como andar num túnel escuro com pedaço de uma lanterna que só se acende se combinada com a soma do pedaço certo de outra pessoa. Eu ainda acho que você tem um pedaço que vira uma lanterna inteira junto o meu pedaço. Por enquanto, eu estou no túnel com a cabeça sangrando depois de acertar uma estalactite, com hematomas de todos os jeitos nas pernas por acertar as estalagmites, com fraqueza depois de ter boa parte do sangue chupado pelos morcegos hematófagos que andam pelo local. A felicidade é achar o fim deste túnel e eu acho que o fim dele ainda está longe e tenho medo de morrer sem sair dele, pois a vida é breve demais e o dia de amanhã é uma incógnita.

Eu ainda quero que o mundo vire para que eu fique perto de ti. Sim, eu ainda quero. Pode me achar louco, mas no que que eu posso me agarrar se muitos sonhos meus foram arrancados? Eu luto para não virar um homem amargo, que não tem mais nada para viver e fica fazendo hora extra na Terra. Eu quero ainda muita coisa, mas não consigo sair do lugar e você sabe bem disso. Eu tenho feridas abertas e você sabe como curá-las. Pode parecer muito pretensioso de minha parte (mas dane-se, pois já passei da idade de só pensar no que os outros vão pensar), mas não deve ter muita gente que pode te entender como eu entendo. Por outro lado, não deve ter muita gente que me entende como você me entende. Por que não? Ah... A maldita distância... Que essa distância morra, pois ela já fez mal para muita gente e já me fez chorar demais. Tenho dito.



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